O centro da capital paulista esconde muito mais que joias da arquitetura e construções que contam a história da cidade. Entre suas preciosidades também estão restaurantes que, não só trazem o clima nostálgico, mas também ajudam a revitalizar a área.

Se levar em consideração os distritos que compõe a região do Centro, seria uma infinidade de locais, afinal, a Subprefeitura da Sé engloba Bela Vista, Bom Retiro, Cambuni, Consolação, Liberdade, República, Sé e Santa Cecília. Um mês de imersão gastronômica seria pouco para desbravar toda a sua gastronomia, então, vamos nos concentrar no miolo do centro histórico de São Paulo e suas preciosidades. A ocupação gastronômica do centro vai desde clássicos, como o delicioso francês La Casserole à novatos – e já badalados – como o Fôrno. Temos um roteiro completo do centro (aqui e vídeo abaixo), mas veja as escolhas da nossa editora-chefe, Daniela Filomeno, e venha para o centro!

As casas dos Ruedas – A Casa do Porco Bar + Bar Dona Onça

Uma fila na porta já virou rotina em uma esquina a poucos metros da Praça da República. Com uma decoração descolada, que lembra aqueles mercados deliciosos de Nova York, A Casa do Porco Bar é um projeto autoral do chef Jefferson Rueda e sua esposa, a também chef Janaína Rueda (Bar Dona Onça), que tem – óbvio – o porco como estrela. Criativo, descolado e inusitado, o toque artesanal é sua marca registrada. Dos embutidos feitos na casa ou escolhidos a dedo pelos chefs ao Porco Quente, cachorro quente feito de uma linguiça sem conservantes ou miúdos, a partir da vontade do chef de oferecer uma salsicha saudável aos seus filhos. A criatividade também marca a Casa do Porco com misturas surpreendentes, como a pancetta com goiabada picante ou o sushi de papada de porco.

Sushi de papada de porco (A Casa do Porco – R. Araújo, 124 – República)

Já o Bar Dona Onça fica no térreo do icônico prédio Copan e serve típica comida brasileira. O PF de fígado com cebola crocante, pimenta biquinho e ovo frito vai fazer você repensar a comida de infância, é saborosíssimo. Já a galinhada caipira vem com quiabo e ovo curado. De sobremesa, os churros chegam crocantes para afundar no doce de leite quente.

Galinhada caipira do Bar da Dona Onça (Av. Ipiranga, 200 – Centro)

Santa causa – Holy Burger e Fôrno

Depois de anos trabalhando no ramo de comunicação de gastronomia, chegou a hora de Gabriel Prieto mudar de lado. E foi por acaso, melhor: por uma boa causa! Para ajudar um projeto da igreja cristã que frequentava, se juntou a amigos e passaram a fazer hambúrgueres e vender na porta da igreja. Depois disso, também passou por feiras gastronômicas e o sucesso foi tamanho que decidiu abrir o Holy Burger (hambúrguer abençoado, na tradução literal). E as filas indicam que a qualidade não só se manteve, como aprimorou. A carne tem um blend de três cortes de carne: acém, costela e peito. O Original vem com cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese caseira no pão preto (R$27). Já o Holy, vem com queijo prato, alface, cebola roxa, picles, molho de tomate, bacon e maionese caseira no pão de brioche (R$27). O hambúrguer pode vir duplo (R$10 a mais) e, para acompanhar, batatinha caseira crocante (R$5). De sobremesa, o famoso pudim na lada (R$ 14). Muitos dos jovens atendidos pelos projetos sociais dos donos trabalham nas casas, bacana, não?

The Champ do Holy Burger: cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese e pão preto, ambos da casa (Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 527)

Do mesmos donos do Holy Burguer, o novato Fôrno já inaugurou com a fama de ter o melhor sanduíche de pastrame (R$ 40) da cidade. Dúvidas? Só provando mesmo o bem recheado e saboroso, que vem com picles, pão feito na casa e a carne maturada por três semanas. O lugar lembra os bares descolados nova-iorquinos, com grafites e estruturas de ferro, com assinatura de Herbert Holdefer (leia-se Holy e Casa do Porco). Sua entrada é uma portinha e o restaurante fica no segundo andar da casinha, pertinho do Holy. Afinal, antes o local era usado para fabricar os pães da hamburgueria, por isso o nome. Pizzas, sanduíches e comidinhas fazem parte do menu. A schiacciata (R$20), como uma pizza retangular, com burrata, Grana Padano, rúcula, cebola roxa e limão é ótima para petiscar enquanto espera para sentar. Aproveite a ótima carta de drinques.

Sanduíche de pastrami do Fôrno (R. Cunha Horta, 70, Vila Buarque)

Largo do Arouche

O português Tasca do Arouche continua no posto de clássicos que valem a pena no Centro. Seu couvert é generoso, com pães, queijo fresco, croquete de carne, bolinho de bacalhau e risole de camarão. Para começar, a frigideira de polvo grelhado e a alheira são boas pedidas. E, finalize, nos deliciosos doces portugueses. Ainda no Largo do Arouche, um delicioso francês encanta há 60 anos os amantes de pratos clássico como o steak tartare ou o confit de pato. O La Casserole (Largo do Arouche, 346) tem execução impecável, o que sempre o coloca na lista dos melhores da cidade.

Tasca de Bacalhau da Tasca do Arouche (Largo do Arouche, 212)

Rua Avanhandava com sobrenome Mancini 

Uma promenade, em pleno centro, é um reduto gastronômico da cidade. Muitos endereços já estava ali, quando aconteceu sua revitalização em 2007. A maioria dos estabelecimentos são do restauranteur Walter Mancini, que tem pizzaria, cantina e até uma casa mais refinada que levam seu nome. Grande incentivador e benfeitor da rua, não deixe de provar a tagliatelle ao molho de tomates frescos e camarões graúdos do Il Ristorante Walter Mancini. Uma sugestão é começar a refeição no Madrepérola, especializado em frutos do mar, petiscar algo e tomar uma caipirinha. Ainda tem o Migalhas, uma casa de sanduíches do empresário e chef. Um passeio completo.

Tagliatelle ao molho de tomates e camarões do Il Ristorate Walter Mancini (R. Avanhandava, 126)

 

Confira nossa visita na A Casa do Porco Bar:

 

O que visistar no Centro de são Paulo:

5 regiões históricas para conhecer em São Paulo

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