A capital japonesa Tóquio é altamente tecnológica, desenvolvida e envolvente. E nos dá uma lição de cidadania, modernidade e inovação. Aqui um roteiro de o que fazer em Tóquio, durante uma semana.

Destino desejo há muito tempo, o Japão estava de lado na minha lista de viagens por um motivo unânime aos travelholics: é muito longe. Hoje, não tem mais voos diretos (a extinta Varig tinha um), ou seja, é necessário pelo menos uma escala, o que eleva o tempo de viagem para no mínimo 24hs. Isso sem contar o fuso horário. E vale à pena? Entraria em outro avião agora mesmo para voltar ao país.

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A capital do Japão é uma cidade que merece atenção. Verá que uma semana é pouco para explorar o que oferece, mas já dá para ter uma boa noção e se apaixonar por Tóquio. E querer voltar outras várias vezes.

Toquio

Ao chegar em Tóquio, não deixe de reparar na organização em que vive. Sua população de 13 milhões de habitantes, 30 milhões na grande Tóquio, consegue viver em uma interessante harmonia. A primeira impressão é que o coletivo se sobrepõe ao individual. Tudo é pensado para beneficiar a todos. Um exemplo? Não existem lixeiras na rua. Cada um leva seu lixo para casa. Chega a ser um choque cultural para nós, que estamos acostumados a ver as ruas cheias de coisas no chão. Os japoneses dão exemplo de civilidade a cada dia que vivenciamos o estilo de vida e nos aprofundamos na sua cultura.

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As atrações em Tóquio são muitas: históricas, devidamente reconstruídas após a devastação da Segunda Grande Guerra; culturais, com tradições milenares; arquitetônica, com arranha-céus modernos; e gastronômica, de restaurantes estrelados até culinária local. Para aproveitar melhor Tóquio traçamos um roteiro de sete dias, mas já avisamos, uma semana é pouco para tudo que a cidade oferece.

Dia 1

Ao chegar em Tóquio, um misto de jet leg, cansaço e êxtase, é inevitável. Do alto do quarto do hotel (ficamos no mais novo hotel da cidade, a Aman Tokyo), no bairro de Otemachi, repleto arranha-céus comerciais, é possível ver a grande preocupação com sustentabilidade e organização. São inúmeros prédios com placas de energia solar e jardins verdes em seu topo.

aman tokyo

A quantidade de helipontos, bem como torres altíssimas, também chamam a atenção. Mas não se vê o trânsito de helicópteros, foram construídos para evacuação no caso de terremotos. No meio desta imensidão de arranha-céus uma grande área verde se destaca. É lá que fica o Palácio Imperial, com um grande fosso circundando a área fechada (só abre para visitação duas vezes ao ano) e uma construção, ao estilo dos pavilhões japoneses. Alguns dias da semana é possível visitar o seu jardim. E vale à pena.

Asakusa street

Para começar a explorar a cidade, visite o Asakusa Kannon Temple ou Sensō-Ji. Mais antigo e impressionante templo do Japão, datado de 628 d.C., foi destruído na Segunda Grande Guerra, sendo todo reconstruído, com estátuas originais do séc. VII. Criado em homenagem à Deusa da Compaixão (Kannon – que originou o nome da empresa de fotografia Cannon), foi um dos templos mais poderosos do século XVI, tanto que um dos seus monges, que tinha boas relações na Índia, conseguiu parte das cinzas do Buda, que hoje descansa na Pagoda, construção de cinco pavimentos. Isto fez que o templo agregasse mais religiões, além do tradicional xintoísmo local.

Asakusa

A avenida que dá acesso ao templo possui o Nakamise Shopping Arcade, com Japanese street food, diversas lojas de souvenirs e presentes. Caminhe com calma apreciando este típico mercado.

MERCADO-ABERTO-TOQUIONa região de Asakusa, bons restaurantes de sushi simples e com peixe fresquinhos. Cada vez mais confirmo a tese de que lugares simples são campeões em oferecer refeições memoráveis. Um deles, em uma pequena entrada de uma das ruas cobertas de Asakusa, está o Sushi Hatsu Sohonten. Chegamos um pouco tarde (14h) para o horário tradicional, só estávamos nós na casa, fomos recebido por um sushi man afobado e apontando o relógio atrás de nossos pedidos. Aqui horário faz parte da precisão japonesa. Típico cenário de que “não vai dar certo”. Mas deu, o Sushi Hatsu Sohonten surpreende pelo frescor dos paixes em sashimis e niguiris (nosso sushi), acompanhado apenas de missoshiro e chá verde. Simples e gostoso, perfeito para um almoço.

Sushi

Se o pique permitir, vá até o moderno Edo-Tokyo Museum, onde é possível experimentar como se vivia na Tóquio antiga, na sua exposição permanente.

Edo-Tokyo Museum

Dia 2

Aproveite o jet lag e acorde bem cedo para visitar uma das principais atrações de Tóquio: o mercado de peixes, Tsukiji Market, e o leilão de atum. Precisa madrugar, o número de visitantes é limitado e é necessário chegar bem cedo para conseguir entrar, em torno das 5h.

MERCADO-DE-PEIXE-JAPAO

Depois, vá ver o skyline da cidade do alto da Tokyo Sky Tree. Com 634 metros de altura é a mais alta torre de transmissão do mundo e a mais potente do Japão, com dois decks de observação abertos para turistas e uma vista 360o de tirar o fôlego. Inaugurada há apenas três anos, possui um sistema antiterremoto que a faz balançar em ventos fortes ou terremotos, mas não cair.

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Importante: para não pegar a gigante fila para subir, fale com o seu guia para organizar a subida com antecedência. A nossa, Yoko, falava português e é excelente.

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De lá, siga para Akihabara, o bairro que concentra as lojas de animé e mangás, além de ser o centro dos eletrônicos de Tóquio.

Akihabara-Japan

É lá também que ficam os maid cafés, aqueles que as meninas se vestem de domésticas e servem, cantam e dançam para seus clientes (achei um pouco constrangedor, um choque cultural ver um japonês de meia idade com um bolo de aniversário e sendo paparicado como uma criança é um tanto estranho).

CafeMaid

Se o jet lag já permitir sair pra jantar, o restaurante italiano do novo hotel Aman Tokyo é uma deliciosa pausa nas refeições típicas. A pasta matriciana acompanhada com uma boa taça de vinho deixou saudades. O bar do hotel para um drinque é imperdível.

Bar Aman

Dia 3

Comece o dia passeando pelas ruas de Ginza, o charmoso bairro japonês. Aos domingos, sua principal avenida é fechada e tomada pela população. Restaurantes, bares e cafés montam deliciosas mesas ao ar livre. Cheia de lojas de departamentos e de grifes, como Hermés, Dior e Chanel, é em Ginza que fica a famosa loja da Sony, onde pode mexer em todas as novidades tecnológicas, inclusive as que não foram lançadas ainda.

Ginza domingo

No bairro Ginza, o Kagaya Ginza é ideal para almoço, um típico restaurante japonês, com sashimi (esqueça os sushis que estamos acostumados), peixe fresquíssimo grelhado, arroz e só. Também tem o Midore, bem simples e pouco turístico. Sempre com fila na porta, tem um sistema de senhas por número. Agora, precisa ficar atento, se perder a chamada do número, não tem jeito. Sushi delicioso, servidos em boas porções.

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Aproveite a tarde para visitar o entorno do Imperial Palace, confira antes os dias e horários que é possível visitar seus jardins. Dar uma volta no Palácio também é uma ótima opção para se exercitar. O complexo possui a antiga residência do imperador, muralhas de pedra, torres, portões e pontes antigas.

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Como seria um jantar degustação típico japonês em um estrelado restaurante? No Waketokuyama Hiroo são nove pratos, que precisa ter estômago para conhecer a fundo a cultura japonesa. É uma comida Kayseri, porém com muitos ingredientes inusitados e diferentes para nosso paladar ocidental. Como seu prato assinatura, abalone (espécie de frutos do mar), com liver (fígado) sauce e laver (vegetal do mar).

Kayseri

Dia 4

Visite em Yanaka, a cidade antiga de Tóquio, o Nedu Sendagi, bairro típico japonês que escapou do bombardeio durante a 2ª Guerra Mundial e, também, sobreviveu ao terremoto. Lá, muitas construções antigas, onde é possível ver como viviam os japoneses de Tóquio antigamente.

Nedu Sendagi

Na mesma região, Ueno Zoo, mais antigo zoológico do Japão, que tem como atração principal dois pandas gigantes.

Tokyo National Museum

Se for para visitar apenas um museu em Tóquio, que seja o Tokyo National Museum. Isto porque guarda a maior coleção de arte japonesa, incluindo cerâmicas, esculturas budistas, espadas de samurais, quimonos, entre outras relíquias.

Dia 5

Comece o dia pela Tóquio moderna e seu cruzamento mais famoso, Shibuya. Só vendo para entender este caos organizado onde oito ruas se encontram no maior cruzamento do Japão.

shibuya Toquio

Depois, siga para Omotesando, a Champs-Élysée japonesa, com diversas lojas de grife.

Omotesando

Visite a divertida Takeshita-dori Street, em Harajuku, considerada a rua dos jovens. São dezenas de lojas de moda teen, com suas lojas de roupas desde Lolita, victorianas até góticas. O interessante são as japonesas vestidas, parecem bonecas.

Takeshita-dori

Siga para o Meiji-jingu, o grandioso templo dedicado ao imperador Meiji e para a imperatriz Shoken. Construído em 1920 e destruído na Segunda Grande Guerra, mantém seu Torii de madeira original de um ciprus de 1500 anos.

desejos temploO bosque em volta deste templo é incrível, foi desenhado – e planejado para abraçar o templo – pelo imperador, como um presente para a imperatriz. Mais de 10 mil árvores foram plantadas com um cronograma de 100  anos para que o bosque fizesse parte do santuário. Com 90 anos, o bosque ficou pronto 10 anos antes que os agrônomos planejaram.

Meiji Temple

Na região está o restaurante Gonpachi Nizo-Azabu, onde foi cenário do filme Kill Bill, do Quentin Tarantino. O Gonpachi Nishiazabu não é só turístico, também é muito frequentado por japoneses, mas o filme naturalmente trouxe fama ao local. É só ver os inúmeros quadros na entrada com diversas celebridades de Hollywood que estiveram na casa. Entre as pedidas, o set de tempurá de camarão vem em cima de gohan (arroz japonês), saladinha com molho delicioso de gergelim, misoshiro e um Jasmin tea. Peça uma Kirin, cerveja japonesa, e aproveite.

GonpachiDia 6

Que tal aprender a fazer a culinária local? Neste dia, reserve para o sushi experience, com aulas de como fazer sushi com um sushiman japonês e depois degustação dos pratos preparados.

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Vale mais uma caminhada pelas agitadas ruas de Ginza. Aos finais de semana e feriados a rua Ginza 4 é fechada para carros e vira um grande calçadão. É uma delícia passear, ver as lojas ou parar para tomar um café. É um misto interessante de grifes internacionais, famosas lojas de departamento e de produtos típicos.

 

Observe as boutiques de frutas, que são vendidas em lojas chiques como opção para presente. Presente? Sim, tem loja especializada nisto, como a Sembiaiy. Um cacho de uvas custa o equivalente a 100 dólares. E a boutique de frutas está sempre lotada.

banca de frutas

Deixe ao menos meio período de um dia para ir à Disney dos eletroeletrônicos, a Yodobashi Akiba. A diversão é garantida. Não só para quem gosta deste tipo de equipamento, tem oito andares para todos os gostos, desde produtos para bebês até para beleza. Destaque para a quantidade inimaginável de máquinas de fazer tudo que não imagina (principalmente itens de beauty). É de enlouquecer.

Yodobashi

Dia 7

Programa imperdível para as meninas, a famosa loja Sanrio, leia-se Hello Kit e My Melod, é parada obrigatória. A Tokyo Hands já agradará também os meninos, pela sua interessante variedade de coisas e utilidades, que nunca imaginou precisar, mas quando ver, vai querer.

Sanrio

Siga para a Tokyo Grand Station, central de trem que é gigantesca. Maior estação de trem da Ásia, com 3 milhões de passageiros por dia, com 20 linhas diferentes. Final do dia, vale conhecer o agitado bairro Roppongi e sua vida noturna.

Grand Station

Fotos: Daniela Filomeno, SIHASAKPRACHUM / Shutterstock.com, beibaoke / Shutterstock.com

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