Oito apresentações por semana apontam o sucesso do Cirque du Soleil no Brasil, que está com sua lona montada no parque Villa-Lobos, na capital paulista. Uma infraestrutura completa (com escritórios, cozinha, oficinas e mais) dá o suporte necessário para que estes artistas de 22 nacionalidades possam subir ao palco praticamente todos os dias. V&G fez um tour por trás do picadeiro e conta como toda essa magia acontece.

São Paulo, SP – Era um domingo de sol escaldante no Parque Villa-Lobos. Enquanto anônimos e atletas fazem sua corrida, andam de bike, skate ou patins, e casais passam acompanhados dos filhos, bem próximo à biblioteca, uma turma jovem começa a adentrar um portão que dá costas para a lona do Cirque du Soleil. Ao se identificar, você entra em um universo com 85 contêineres lado a lado – uma minicidade para que supra todas as necessidades desse time. Transformados em escritórios, salas de oficina e cozinha, os bastidores desse espetáculo de magia parece muito mais com a vida real.

O espetáculo Amaluna, do Cirque du Soleil, entra na reta final em sua estadia, em São Paulo. Depois do dia 17 de dezembro, a companhia canadense segue para o Rio de Janeiro para uma temporada que vai de 28 de dezembro de 2017 até 21 de janeiro de 2018. Todos os dias até lá (com exceção das segundas, dia de folga), as 120 pessoas envolvidas (sendo 48 artistas, dois deles brasileiros) têm de chegar algumas horas antes, seja para se concentrar e se arrumar para a apresentação da vez, ou então, para colocar o picadeiro em ordem.

Antes que os dois sinais disparem, para começar o espetáculo, os artistas têm de estar lá até 1h30 antes do início da primeira sessão – período em que ninguém de fora da produção pode circular pelos bastidores. Aliás, nada de falar com o elenco… Foco máximo nos momentos que antecedem a apresentação. Alguns aproveitam para malhar, outros para conferir o figurino, treinar um pouco (há uma miniacademia montada bem atrás do palco e do lado da sala da maquiagem), almoçar.

Do outro lado, camareiras dão os últimos acertos nas roupas, já organizadas e passadas. Na coxia, adornos de cabeça, perucas, rabos e outros objetos cênicos ficam dispostos e organizados para que o ator/atleta consiga identificar.

Bem atrás do picadeiro, em um ambiente climatizado, há ainda um espaço debaixo da lona que se assemelha a um ginásio esportivo. Com tapetes acolchoados e trapézios, os também acrobatas podem repetir seus números à exaustão. Em um quadrilátero, uma sala de TV mostra a apresentação do dia anterior, onde é possível analisar erros e acertos.

Saindo da lona, uma lavanderia com máquinas de lavar e secadoras está dividida em dois grupos: as que lavam as roupas e acessórios de cena, e a outra dedicada às roupas da equipe que está trabalhando em São Paulo. Como ficam hospedados em hotel, aproveitam o tempo que passam lá no Villa Lobos para fazer o serviço de lavanderia.

Domingo é dia de brunch na tenda do cirque. É quando também pode-se levar as crianças para uma refeição em família a fim de confraternizar. Os quatro chefs (Holanda, Alemanha, Méxido e França) mesclam técnicas de suas cozinhas com ingredientes locais, a fim de criar uma atmosfera em que os cantores, bailarinos, performers e atores sintam-se em casa. Inclusive, quanto é aniversário de alguém, o cardápio é voltado àquela nacionalidade.

Do lado de fora, é possível ver os contêineres, transformados em salas de escritório. Toda a parte administrativa (como pagamentos, orientação sobre impostos locais e liberação de vistos) fica montada ali durante a passagem da companhia pelo Brasil. Uma caixa próxima aos escritórios chama a atenção: ela arrecada brinquedos, livros, roupas, que serão doadas a alguma instituição brasileira ao fim do espetáculo. Acontece isso porque eles não conseguem carregar muita coisa adquirida na passagem pelo País. Então, têm de repassar.

Só para ter uma ideia, para carregar os 85 contêineres, incluindo o gerador (que pode ser fornecido pela equipe local), eles precisam de pelo menos dois aviões de carga para levar a estrutura para outro país. Caso a próxima season seja espaçada, despacham por navio. Do Brasil, a equipe segue com “Amaluna” até a Argentina, onde estreia em março de 2018.

HISTÓRIA
Na montagem, os bailarinos e acrobatas vivem personagens fantásticos, que vivem na misteriosa ilha de Amaluna – localizada em algum lugar do Mediterrâneo. Entre acrobacias e esquetes de palhaços, eles recontam a história de “A Tempestade”, de Shakespeare, em que o personagem Ferdinando leva o nome de Romeu. Aqui, a filha de Próspero é a protagonista: Miranda. A ilha é “invadida” por pescadores, que sofrem um naufrágio. Enquanto as moradoras da ilha lutam para continuar a seguir suas tradições, como um ritual que celebra a força feminina e a união com a lua, a protagonista e Romeu tentam provar que se amam. O espetáculo é composto, em sua maioria por mulheres (mais da metade), inclusive a banda que os acompanha.

TAPIS ROUGE
A experiência VIP custa R$ 600, em média. Ela dá direito a um acesso exclusivo ao espetáculo e a uma loja de souvenirs exclusiva. Os comes são servidos com um cardápio da chef Morena Leite: tem ceviche, dadinho de tapioca, entre outros. As bebidas também são à vontade: de águas e refrigerantes à vinhos e espumantes. Ao fim, você recebe um gift (no nosso dia foi um a réplica em miniatura da tenda montada em São Paulo, com a data).


Sessões ter. a sex., às 21h (algumas às 17h30), sáb., às 17h30 e 21h. e domingo, às 16h e às 19h30. Parque Villa Lobos – Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001, Alto de Pinheiros, SP. No Rio: Parque Olímpico – Avenida Embaixador Abelardo Bueno, s/nº, Barra (altura do 5001, em frente ao Terminal Centro Olímpico). / Fotos: Acervo Pessoal, Shutterstock e Divulgação.


O jornalista assistiu ao espetáculo a convite da Interamerica, que promove o Las Vegas Convention and Visitors Authority (LVCVA), responsável por promover a região sudeste de Nevada como destino internacional de lazer e negócios.

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